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Atividades de mineração no sudoeste baiano causam crise de água e êxodo rural

segunda-feira 6 de abril de 2009


Um “mutirão” de reconhecimento, promovido pela Comissão Territorial de Meio Ambiente, CPT Bahia, Sindicatos dos Trabalhadores Rurais de Caetité e Pindaí, Movimento Ambientalista Terra – MATER, Movimento Paulo Jackson e representantes da Paróquia de Caetité, visitou entre os dias 16 e 20 de março um total de 13 comunidades rurais no Sudoeste Baiano. O objetivo foi diagnosticar a situação das comunidades e os impactos causados pelas atividades de mineração das Indústrias Nucleares do Brasil (INB) e da Bahia Mineração Limitada (BML).

“A situação detectada é trágica. A grande maioria dos agricultores da região já perdeu ou está em vias de perder suas terras, compradas à preço de banana pela BML”, comenta Amélia Caputo, assessora da CPT Bahia que participou do mutirão. Comunidades centenárias na região estão sendo dizimadas, a exemplo de Antas Velhas, no município de Caetité, uma comunidade quilombola que “vendeu” suas terras e cujas famílias hoje estão espalhadas pela periferia e os distritos de Caetité e Pindaí.

A falta de água na região é outro grande problema. Além da seca característica da região, que faz parte do semiárido baiano, a situação é agravada pela apropriação e contaminação dos poços pela mineração de urânio, realizada pela INB. Na localidade de Juazeiro, os poços que serviam as comunidades foram temporariamente interditados após uma denúncia feita pela ONG ambientalista Greenpeace e inicialmente confirmada pelo Instituto de Gestão das Águas e Clima (INGÁ), do Governo do Estado.

Após um segundo exame, em alguns dos poços, o INGÁ anunciou que as amostras coletadas não apresentavam mais sinais de contaminação. Só que não voltou mais a estas comunidades para informar o resultado e liberar oficialmente os poços. Por isso, as famílias continuam temerosas em utilizar as águas, com alguma razão, uma vez que parte dos poços está infectada com “caramujos” que transmitem esquistossomose.

Uma moradora de Caldeirão, em Caetité, afirma que “estamos vivendo totalmente sem água. Até para tomar um comprimido, como aconteceu comigo, fiquei três dia sem um copo de água, precisando tomar um remédio e sem poder, é revoltante a vida que vivo”.

Já nas comunidades alvos da implantação do Projeto Pedra de Ferro da Bahia Mineração Limitada (BML) estão sendo instalados poços ao longo das terras das comunidades rurais, nas margens dos rios, e nascentes. Em João Barroca, município de Pindaí, e empresa perfurou um poço com 900 metros de profundidade e capacidade para 70 mil litros de água, exatamente no meio de duas nascentes que abasteciam o açude da comunidade. Como consequência, o açude secou totalmente, deixando a comunidade completamente desabastecida. Nenhuma providência foi tomada até o momento pelos órgãos responsáveis do município, do estado ou da união.

As promessas de trabalho para as populações locais nas atividades de mineração até agora não se concretizaram e nem apresentam indícios de que sejam cumpridas nem mesmo na primeira fase. Os funcionários da BML que visitam as comunidades afirmam para os trabalhadores que “não se preocupem, pois trabalho grosseiro vai ter bastante”. O altíssimo número de migração para Mato Grosso e São Paulo para o corte da cana contradiz esta propaganda. Apenas nos últimos dias o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Caetité registrou 630 pessoas nessa condição.

“Esta experiência vivenciada com as populações da região sudoeste nos evidencia cada vez mais de que este ’desenvolvimento’ de alguns e para alguns, abraçado e incentivado pelo Estado, é depredador, espoliador, mesquinho e desumano, e que as conseqüências disto afetam a todos e não só aqueles que estão mais diretamente envolvidos”, analisa Amélia Caputo.

As comunidades visitadas:

* 5 comunidades no entorno da INB: Riacho das Vacas, Juazeiro, Mocambo, Barreiro e Maniaçu.
* 9 comunidades na área já adquirida ou cobiçada pelo “Projeto Pedra de Ferro” da BML: João Barroca, Açoita Cavalo I; Curral Velho; Brejinho das Ametistas, Rio das Antas, Rio das Facas, Antas, Guirapá, Santo Antonio, Represa e Língua de Vaca.

Fonte: CPT

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